sexta-feira, 16 de julho de 2010

Morto com facada no peito – Suspeito é preso mas nega o homicídio

A Polícia Civil de Ribeirão Claro prendeu em flagrante nesta quarta-feira à tarde o principal suspeito de matar Irineu Domingues, 44 anos. O corpo foi encontrado no interior da residência do suspeito, com um ferimento de faca no peito. Entretanto, segundo o delegado Acilto Damian Preve, embora todos os indícios indiquem que o crime tenha sido cometido pela pessoa que está detida, a comprovação da autoria ainda depende de investigação. “O suspeito aparentava estar totalmente embriagado e diz que não sabe o que aconteceu, não se lembra de absolutamente nada. Ele não é réu confesso”, diz Preve. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal de Jacarezinho para exame de necropsia. Com base no laudo, o delegado espera esclarecer alguns detalhes que considera indispensáveis para concluir o inquérito policial.
“Aparentemente, a vítima só apresentava um sinal de facada, mas é o exame que vai determinar precisamente quantos golpes foram desferidos. Esse detalhe é fundamental”, explica. Segundo ele, a necropsia também deve indicar a posição do golpe que causou o ferimento, o qual provavelmente acertou o coração, e se a vítima havia ingerido bebida alcoólica antes de ser morta. O delegado tem dez dias para concluir o inquérito e encaminha-lo ao Ministério Público. Nesse período, o Juízo da comarca vai analisar se há sustentação jurídica para manter o pedido de prisão em flagrante por homicídio doloso –artigo 121 do Código Penal-, feito pelo delegado. Se entender que não há motivo para mantê-lo encarcerado, a prisão pode ser relaxada para que o suspeito responda ao processo em liberdade. “Até concluirmos o inquérito, vamos preservar o nome do suspeito”, diz o delegado.
Segundo Preve, o que chama a atenção nesse caso é que o suspeito, que tem 55 anos de idade, e a vítima eram grandes amigos. De acordo com testemunhas, os dois estavam sempre juntos e nunca foram vistos discutindo entre si. “Ambos são trabalhadores rurais e tinham amizade com todas as pessoas da comunidade, é difícil presumir o que pode ter ocorrido entre eles”, salienta Preve. Uma das hipóteses é que o suspeito tenha tido um lapso de memória devido à ingestão de bebida alcoólica. “Não podemos descartar a possibilidade de suicídio, mas isso é muito remoto, até porque ninguém se mata com uma faca. A principal linha de investigação é que realmente houve um homicídio”, ressalta o delegado. Quem encontrou o corpo e chamou a Polícia Militar foi a irmã do suspeito. Ela foi até a rústica residência do irmão, localizada no bairro rural Patrimônio dos Abreus. Ao entrar, se deparou os dois sentados, cada um em uma cadeira.
Em uma delas, estava o corpo de Ireneu. Ao lado dele, no chão, estava a faca que lhe causou o ferimento no tórax. Também havia uma garrafa de vodca. O suspeito, segundo o delegado, afirmou que eles tinham ingerido daquela bebida. “Quando a polícia chegou, a vítima já estava em óbito”, a¬firma o delegado. Segundo ele, imediatamente os policiais ¬ zeram várias investigações e constataram que ninguém foi visto chegando ou saindo do local. De acordo com moradores daquela localidade, ambos eram vistos constantemente bebendo juntos. “O suspeito pode não se lembrar, mas para mim ele matou o amigo”, conclui o delegado.


Fonte: Tribuna do Vale

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